sexta-feira, 13 de junho de 2008
Há uma pergunta, insistente, até com uma face quase metafísica, que me incomoda amiúde (mas não muito, na verdade...): por que raio se mantêm os anos 80 tão na moda? Recuar até lá dá-nos algumas pistas. Lembro-me do revivalismo musical de então. Elvis, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd e outras figuras maiores da cena musical dos anos 60 voltavam a estar, estranhamente, na moda. Deve ser uma espécie de círculo vicioso que, de vinte em vinte anos, nos leva a remexer no baú e a recuperar estéticas perdidas, apesar de muitas delas já estarem rotuladas de «pirosas». Esta é apenas uma explicação, empírica, e, como tal, mais falível. Seguramente. E enquanto não encontro outras teorias mais sustentadas, continuo a tropeçar, com uma surpreendente e agradável regularidade, em discos que vão beber aos anos 80. O mais recente a chegar-me às mãos foi reeditado este ano (as gravações originais, que foram agora revistas e melhoradas, datam de 2005), e é assinado por uns rapazes – três e uma rapariga, em rigor – que dão pelo nome de Shiny Toy Guns. Numa tradução literal, quer dizer algo como «armas de brincar reluzentes». Não é só revivalismo que se ouve ao longo das 12 faixas de We Are Pilots. A banda dá um passo em frente, mas as fundações sonoras não deixam margem para dúvidas: sintetizadores, samples, órgãos góticos, caixas de ritmos que debitam sons de bateria militarmente metódicos e infalíveis e guitarras a roçar o punk. Uma salada eighties no seu melhor. Falta falar das vozes... uma dialética permanente homem/mulher, ao estilo Human League, estudada ao milímetro. Carah Faye e Chad Petree, almas gémeas vocais, dividem as letras de quase todas as músicas numa harmonia perfeita em que cada um complementa o outro. E este quase-nirvana vocal é uma das principais mais-valias da banda. Os Shiny Toy Guns são, contudo, bem mais acelerados que os velhos Human League, como se percebe logo à segunda faixa, Le Disko: electrónica potente, dançável e muito rasgada. Depois, à quinta faixa, lá vem mais um clássico instantâneo – Don't Cry Out – que põe a nu tudo o que a banda tem de bom e onde desfilam as melhores fórmulas da pop electrónica (é quase impossível não reconhecer a recuperação da mestria dos saudosos Pet Shop Boys). O álbum deste quarteto de Los Angeles, habituado a ouvir os seus hits em séries de TV para teenagers e anúncios televisivos, é muito desigual. O que não é necessariamente uma desvantagem, revelando uma saudável versatilidade sonora, que só lhes fica bem. Resumindo, este We Are Pilots dá aos Shiny Toy Guns um lugar ao sol num espaço já bastante povoado – o da Synth-pop – onde estão confortavelmente instalados nomes como White Rose Movement, The Bravery ou The Killers.
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1 comentário:
Bom, apesar de sua crítica ter sido escrita à meses, eu não posso evitar fazer o meu comentário :]
Eu simplesmente adorei a sua crítica, eu particularmente
sou fã da banda "Shiny Toy Guns" há um bom tempo e fiquei contente em encontrar uma crítica sobre a banda, e melhor ainda, uma positiva.
Aliás, como você, eu também vivo me fazendo a mesma pergunta; o porque dos anos 80 estar sempre na moda, mesmo gostando de algumas bandas da época,
acho meio exagerado todo o alarde que fazem com relação a década.
Enfim, adorei sua crítica, e espero que você continue postando críticas tão boas quanto esta :D
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